1 de novembro de 2015

Sobre o tema da redação do ENEM


O tema da redação do ENEM deste ano trouxe uma velha, e para muitos, indigesta discussão: “A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira”. Estamos em pleno século 21 e nem todos os sutiãs foram queimados. A queima dos sutiãs em Atlantic City em 1968, ainda que não tenha ocorrido de fato, repercutiu de forma incendiária, chocando a sociedade da época, e sendo lembrado como marco da independência feminina até hoje.

A iniciativa daquelas mulheres, foi de fato, o ponto de partida para a onda de manifestações que visavam romper com alguns paradigmas da década de 1970, ainda presentes na sociedade atual. Tudo isso, a partir da suposta queima de símbolos femininos de opressão. Ainda hoje, em plena Era das tecnologias da informação, muitas pessoas trazem consigo o pensamento retrogrado da inferioridade feminina, reflexo de uma sociedade patriarcal, que gera a violação dos direitos das mulheres. Muito além do feminismo, as mulheres querem igualdade de direito, nada mais do que está previsto, porém não assegurado, em nossa constituição.

A violência contra a mulher assume várias faces, sendo as mais conhecidas delas, as violências física e sexual, muitas vezes sofrida dentro de casa pelo próprio companheiro. Ainda mais além, as mulheres sofrem violências pouco conhecidas e muito praticadas; violências moral, patrimonial e psicológica, podendo sofrer cárcere privado e até serem traficadas. A instituição da lei, conhecida como “Maria da Penha”, foi uma vitória, entretanto as mulheres ainda buscam igualdade de salários, o direito de ir e vir e poder sobre seu corpo.

A prova de redação do Enem sempre traz problemas sociais aos alunos, para que estes reflitam e apresentem propostas pertinentes à problemática apresentada. A instituição deste tema, pela primeira vez na história do Enem, trouxe uma proposta de discussão na qual não há defesa dos fatos, não há pros, apenas contras. Defender a violência, em qualquer âmbito ou contra qualquer um que seja, é colocar-se contra os direitos humanos. O tema corrobora para a afirmação dos direitos femininos e para a reflexão dos jovens sobre esse tema, inesperado e muito pertinente.




Nair Fernandes
é professora de Língua Portuguesa

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