5 de abril de 2015

Onda de violência assusta moradores de Cristianópolis e região


População e autoridades se reuniram em audiência pública na Câmara de Vereadores para discutir a insegurança na cidade e tentar solucionar o problema

Os moradores de Cristianópolis estão assustados com a onda de criminalidade que tem aterrorizado a cidade nos últimos dias. Segundo estimativa da Folha de Cristianópolis, desde dezembro já foram quatro assaltos à casa lotérica e bancos da cidade, pelo menos seis roubos em postos de combustível e dezenas de pequenos furtos em estabelecimentos comerciais. Segundo dados da Polícia Militar, de janeiro a março deste ano, foram registradas 20 ocorrências, sendo que quatro delas se referem a roubo à mão armada.

Preocupados com a situação, população, autoridades políticas e chefes da Polícia Militar, Polícia Civil e Poder Judiciário se reuniram no último dia 27 de março, na Câmara de Vereadores, em audiência pública. O objetivo: estancar o crescente índice de violência em busca de uma solução rápida e eficaz.

A audiência começou com a palavra franqueada ao público que pôde expor críticas, reclamações como a da comerciante Flora, dona de um estabelecimento no centro da cidade. Ela contou que já foi assaltada 13 vezes e na última os bandidos não se contentaram em apenas roubar e amordaçaram ela e o marido dentro de sua casa. “Treze vezes entraram na minha casa, mas dessa vez nos amarraram e até hoje eu não tenho notícia de nada, às vezes sinto que até descaso, não sei”.

A Professora Elaine Lemes teve o pai, Francisco Lemes, de 91 anos, agredido por um homem conhecido como “Sandrão” na porta de um farmácia no centro da cidade. Segundo ela, a polícia disse que o rapaz não poderia estar circulando por ter problemas mentais. A professora lavrou um boletim de ocorrência e espera que sejam tomadas providências. “Reconheço os esforços de nossas autoridades municipais, mas creio que se formos todos parceiros independente de política, voltaremos a ter nossa paz”, mencionou.

O estudante Rhalff Victor aproveitou para falar sobre o uso de drogas, recorrente em jovens e adolescentes da cidade. “Estamos sendo expostos e não podemos olhar apenas por nossos interesses. Temos que nos preocupar também com nossos jovens envolvidos com as drogas e lutar pelas lacunas que existem nas leis”. Ligia Siqueira, moradora do Setor Floresta, também falou sobre esse assunto e pediu melhorias no policiamento do bairro. “Principalmente ali na praça onde direto tem pessoas consumindo drogas”.

O produtor rural e líder político local Murilo Ulhôa (PMDB) disse que uma das soluções para melhorar o policiamento local seria a aquisição de um veículo para o patrulhamento rural. Segundo ele, isso manteria a polícia fixa dentro da cidade. “Essa questão da segurança é um assunto muito complexo e preocupante. Uma sugestão seria a Patrulha Rural que deixaria o efetivo da PM na cidade”.

Após apresentar a sugestão, o peemedebista entregou cópia de um oficio ao prefeito em que o Deputado Federal Daniel Vilela (PMDB) solicita ao Comandante Geral da PM Goiás, Coronel Silvio Benedito Alves, um veículo destinado a Patrulha Rural. “Nossa solicitação se prende ao fato do crescente número de atos criminosos na região deixando totalmente insegura a população”, diz o parlamentar no documento.

Após ouvir a população, os representantes e autoridades falaram individualmente. O prefeito de Cristianópolis, Jairo Gomes (PSDB), afirmou que a segurança não é um problema só do município. “Peço a colaboração de todos para solucionarmos essa questão que não é só nossa”. Sobre o caso da professora Elaine, a primeira-dama Leandra Cristina disse que a prefeitura já fez a internação do homem que tem problemas de saúde inúmeras vezes, mas a família que é a responsável pelo rapaz, não mantem o tratamento que segundo ela, é apoiado pela prefeitura.

A escrivã da Comarca de Santa Cruz de Goiás, Lígia Ferreira, garantiu que o Poder Judiciário tem feito sua parte. “Temos dado toda a agilidade possível aos processos criminais e no que depender do Foro da Comarca estamos à disposição”.

Delegado da Polícia Civil de Goiás, Eduardo Eustáquio Rezende de Miranda, sugeriu a criação ou, se já existir, a convocação de um Conselho de Segurança na cidade com representantes de todas as áreas. “Vamos aonde está o problema. Não podemos esperar que ele chegue até aqui. O Conselho seria uma possível solução com reuniões mensais porque o trabalho conjunto é importante”. Na oportunidade, o delegado informou que deixará de atuar em Pires do Rio para responder apenas pelos municípios de Cristianópolis, Santa Cruz de Goiás e Palmelo.

Subcomandante do 11º Batalhão da Polícia Militar, Major Neto, destacou como a PM irá atuar no combate a violência. “Vamos tomar medidas urgentes aqui como mandar sempre que possível o Grupo de Patrulhamento Tático (GPT) pra fazer algumas abordagens, a Patrulha Rural e mais policiais pra vir esporadicamente fazer alguns bloqueios, busca pessoal e vistoria de veículos de outras cidades que podem estar cometendo crime aqui”.

O Chefe de Gabinete da Secretaria da Segurança Pública e Justiça do Estado de Goiás, Edilson Divino de Brito, fez anotações durante toda a audiência pública com o intuito de repassar as demandas ao secretário Joaquim Mesquita. “Somos a ponta do iceberg e juntos é que resolveremos o problema. Nós, da secretaria, nos comprometemos a fazer uma integração para solucionar essa questão da segurança com a criação de ações e também a reestruturação do Conselho Comunitário”, relatou.

Ficou marcada para o dia 16 de abril, uma nova reunião de trabalho com o objetivo de recriar o Conselho de Segurança e estabelecer metas para os próximos meses.


“Há um descompasso entre o crescimento da população e a perda de efetivo policial”, diz juiz


Em entrevista exclusiva à Folha de Cristianópolis, o juiz da Comarca de Santa Cruz de Goiás, Nivaldo Mendes Pereira, disse que o Poder Judiciário tem feito um trabalho de parceria com as polícias, tanto militar quanto civil, no entanto, entende que a questão da segurança também é estrutural.

“De um tempo pra cá, a polícia vem perdendo efetivo pelas mais diversas razões. Há um descompasso entre o crescimento populacional, a violência e a perda de efetivo policial. Essa situação vem agravando principalmente a nossa região por ser uma região próspera e, principalmente, Cristianópolis que é uma região de passagem entre Brasília, Goiânia e Caldas Novas, que tem experimentado um crescimento da violência muito grande”, ressaltou.

Sobre o andamento de processos e o ritmo de trabalho dentro da Comarca, o magistrado garante que o serviço é feito com agilidade. “A gente tem cobrado das autoridades e nos colocando sempre à disposição. Da nossa parte, o que temos feito é agilizar e dar respostas porque a impunidade serve de fermento para o crescimento da violência”.

O trabalho é feito, segundo o juiz, ao tempo e à hora que a polícia necessita. “Quando a polícia precisa de um mandado de busca e apreensão, um mandado de prisão, o nosso despacho é célere. A gente faz de tudo pra agilizar e instrumentalizar a polícia pra agir”.

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