12 de fevereiro de 2015

Safra de verão pode ter prejuízo de R$1,2 bilhão em Goiás


Segundo Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), seca é o principal motivo das perdas em lavouras de soja, milho e algodão no Estado

Preocupada com as perdas causadas pela falta de chuvas nas últimas semanas em Goiás, a Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) se reuniu com produtores de soja, milho e algodão no último dia 23 de janeiro para analisar o andamento da safra de verão e discutir formas de minimizar os prejuízos da seca.

As estimativas realizadas até o momento apontam para perdas na soja que já se aproximam a 15% da produção total de Goiás, o que representa cerca de 1,4 milhão de toneladas. Se confirmadas estas perdas, o prejuízo financeiro em todo o estado pode chegar a R$1,2 bilhão, aproximadamente.

Mesmo com o retorno das chuvas nos próximos dias, as perdas já são irreversíveis, segundo a Faeg, pois o período seco coincidiu com um momento fundamental para as lavouras, que é a fase de florescimento e enchimento de grãos, momento em que as plantas têm as maiores exigências por água.

“Em 2014 tivemos seca em locais mais pontuais. Neste ano o quadro se agravou porque Goiás todo sofre com a seca. Os reflexos finais ainda dependem do clima que ainda está por vir nas próximas semanas, mas os impactos já são grandes. Não podemos esquecer que o setor agropecuário é responsável por 80% da exportação em Goiás e 70% do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado. A situação é preocupante, e muito!”, destacou o presidente da Faeg, José Mário Schreiner,

Outro fator que agrava esta situação são as altas temperaturas registradas neste início de ano. Este calor associado a baixa umidade afeta diretamente o desenvolvimento das lavouras, causando abortamento de folhas, flores e vagens, menor peso de grãos e consequente queda no potencial produtivo das lavouras. Entre os cultivos afetados, o destaque fica por conta da soja, mas prejuízos em lavouras de milho e feijão também foram relatados pelos participantes do encontro.

Ano passado – Na safra passada, 2013/14, as chuvas começaram mais cedo e, por volta de 10 de outubro de 2013, grande parte dos produtores já havia iniciado o plantio da soja, principal cultura do estado durante o verão, que ocupa mais de 75% da área plantada. Nesta safra, 2014/15, as chuvas foram tardias e, por volta de 20 de outubro, muitos produtores ainda não haviam começado o plantio.

Solução – Em 2014, a contratação de seguro rural foi realizada em cerca 825 mil hectares, o que representa apenas 14% da nossa área total. “O seguro rural é uma de nossas únicas soluções, mas há mais de 10 anos nós falamos isso e o seguro ainda não nos atende de forma adequada. Isso não pode ficar assim. Além disso, em muitos casos as financiadoras usam o seguro como moeda de troca para a liberação de crédito. O modelo ideal deveria ser como o dos Estados Unidos, onde o produtor tem 90% da produção segurada”, afirmou José Mário Schreiner.

José Mário comentou também sobre as duas últimas reuniões que teve com a ministra Kátia Abreu, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), no qual tratou sobre o pagamento da subvenção do seguro rural da safra passada. “O Ministério tinha acordado a liberação de R$ 700 milhões para pagamento de subvenção do seguro rural Apesar disso, apenas R$ 400 milhões foram pagos até o momento. Agora estamos em diálogo constante com os Ministérios da Fazenda e do Planejamento para garantir a suplementação orçamentária que compense a verba que não foi paga às seguradoras”, completou. (Da Faeg)

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