4 de novembro de 2014

ARTIGO: Até que outubro nos separe


Assim que fui convidada pela Folha de Cristianópolis para escrever este artigo (aliás, não posso deixar de agradece-los pela gentileza do convite e parabeniza-los pelo projeto, you rock!) tentei não abordar o já esmiuçado tema das eleições, entretanto não foi possível, afinal, apesar de bastante desgastado, é ainda recorrente, e o que vi e ouvi ao longo da campanha eleitoral e na ressaca pós-pleito ecoará na minha cabeça durante um bom tempo. Mas por favor, leiam, não será chato, eu prometo!

Esta disputa política, acirrada que só ela, tanto em números quanto em ânimos, caracterizou-se pela modernização dos meios de divulgação eleitoreiros, antes restritos às propagandas e debates televisivos, os quais respingavam seus efeitos apenas nas conversas e discussões nas rodas de amigos e no máximo numa manchete de algum jornal. Hoje não. A internet nos deu de presente o mundo e a possibilidade doida e maravilhosa de interagirmos com ele, tornando-se fator primordial nesta corrida pelo Planalto e pelos governos estaduais. Através das mídias sociais nos fazemos conhecidos, assim como nossas perspectivas, crenças e, por que não o nosso voto? Qual é o problema disso? O grande problema é que não estávamos preparados para um mundo que não tivesse a nossa cara.

Não aceitamos as diferenças pelo fato de não termos sido ensinados a entender que elas existem, por isso mesmo nos assustamos ao percebermos que muitas vezes o mundo, melhor dizendo, os demais seres humanos que compartilham o espaço deste planeta com a gente, e amam, sofrem, choram e lutam como nós, discordam daquilo que pensamos e não são feitos a imagem e semelhança de nós mesmos. Mas Cecília, minha filha, pra que isso mesmo?

Desde o começo desta campanha o Facebook, ao menos o meu, virou um ringue ou um octógono de UFC (acho que é mais moderno falar assim) e nenhum dos lutadores que tentou ganhar no grito conseguiu alguma coisa. Intolerância foi a palavra de ordem para todos os lados deixando-se de lado a ponderação e o respeito naquele que deveria ser um ambiente de diálogos construtivos. Ataques, rótulos atribuídos aos adversários e críticas pouco sustentadas na lógica foram assiduamente compartilhados.

As eleições passam, é verdade, voltam-se as amizades, mas é igualmente verdadeiro que é neste período onde se escancara o quão ainda somos involuídos no tratamento de questões como o preconceito regional, racial, e principalmente, social; o fundamentalismo religioso; e a estigmatização daqueles que defendem amplamente o acesso de todos, e não somente de alguns, aos seus direitos fundamentais de seres humanos.

Cai por terra a concepção de um país não preconceituoso, acolhedor e tropical (não, tropical continua.). A não ser que todo este afeto seja canalizado exclusivamente aos gringos lindos e loiros que adoram dar às caras por aqui, principalmente numa tal região cheinha de praias maravilhosas, neste caso eu até compreendo, porque tipo como eles não são comuns nestas terras tupiniquins, dai fica difícil resistir né?

Mas a falta de respeito de nós para com nós mesmos eu não compreendo não. Perceber que a sociedade infelizmente (ou felizmente) não tenha se construído da forma projetada por mim, perceber que o outro, logo ali ao lado, o meu próximo (aquele tal próximo que Jesus nos ordenou que amássemos) talvez não seja uma reprodução das minhas crenças e dos meus valores, talvez ele até seja a própria projeção de tudo aquilo ao qual me oponho, aproximar-me dele, compreendê-lo e dialogar com ele, provavelmente é a melhor maneira de mostrá-lo aquilo que sou, e aquilo que trago no coração. Talvez nosso problema seja pouca dúvida e muita razão, pouca ideia e muita opinião, muito papo e pouca ação.

O relógio me mostra o adiantado das horas, preciso digitar o texto no computador, mas para o meu desespero, ele “morreu”, não quer mais trabalhar. É nessas horas que me lembro de quem sempre me diz assim: “Bem feito, quem mandou votar errado”. O que fazer? Só me resta concordar! Pô Dilma, já que agora tu tem mais quatro anos no Planalto, bem que tu podia deixar essa história de bolsa família pra depois né? Já deu. Cansei desse povo botar defeito. Vamos subir o nível dessa bagaça! Agora tá na hora do Meu eletrônico, minha vida, dai quero ver alguém reclamar! Porque as coisas não estão fáceis por aqui não. E se não rolar, voto também não rola mais. #ficaadica!


Cecília Tedesco
é universitária

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