9 de setembro de 2014

ENTREVISTA EXCLUSIVA: Vice-prefeito diz que foi ‘gelado’ pela administração atual


Pedro Fagundes conta que foi desvalorizado e que acordos de campanha não foram cumpridos. Democrata também falou sobre a conjuntura política do partido no Estado e a candidatura de Ronaldo Caiado ao Senado.

O cidadão cristianopolino percebeu que o vice-prefeito, Pedro Fagundes, não está trabalhando com o mesmo vigor que a época da campanha eleitoral de dois anos atrás. O cidadão cristianopolino também sabe que os partidos da base local estão desfazendo suas alianças para traçar novas estratégias e participarem ativamente, ou como simples antagonistas, de uma corrida eleitoral futura.

Por que o vice-prefeito está afastado do poder público? Quais foram os motivos? Para responder esta e outras perguntas, Pedro recebeu a reportagem da Folha de Cristianópolis em sua residência. Tranquilo, pensativo e de forma clara, respondeu todas elas afirmando que sua postura e integridade está acima do jogo do poder.

Além disso, Pedro também falou sobre as eleições deste ano, como seu partido (DEM) está atuando para eleger Ronaldo Caiado ao Senado e como se posicionará depois do pleito eleitoral. Confira.
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Repórter: Muitas vezes a função do vice-prefeito é vista pela sociedade como neutra e indiferente e quase sempre dá para perceber que dentro da gestão o vice acaba não fazendo nada. Qual é ou foi a sua função aqui? Qual a importância dela?

Pedro Fagundes: Geralmente é indicado para o vice-prefeito alguma pasta, alguma área da prefeitura pra ele tomar conta e gerir, além de acompanhar e ajudar o prefeito. No meu caso, não peguei nenhuma pasta, nenhuma secretaria, então a minha foi função foi de reserva e na ausência do prefeito sempre estive pronto para ajudar.

E chegou a ser combinado alguma coisa com você? Durante a campanha, por exemplo?

Na verdade, durante a campanha foi muito usado o meu nome no palanque por eu ser novo e fazer parte de uma ala jovem que Cristianópolis nunca teve [de vice-prefeito eleito] que eu seria participativo. Eu tenho a minha representatividade e o nosso povo esperou por isso, mas infelizmente não deu certo.

Por que não deu certo?

Assim que nós tomamos posse, o secretariado ainda não estava acertado. Tentei acompanhar, mas de forma lenta eu senti que fui um pouco gelado... Foram me gelando... Eu não tenho aquele dom político de ficar em cima, eu procuro conquistar o meu espaço e acho que já o conquistei sendo eleito, levantando uma bandeira. Esperei ser direcionado algo pra mim e como isso não foi feito, fiquei quieto.

Quando começou esse afastamento?

Assim que eu senti que não estava sendo valorizado como fui na campanha.

Mas você chegou a trabalhar ao lado do prefeito e conseguir algum recurso mesmo que complementar?

Sim. Nós fomos em Brasília atrás dos deputados, fui atrás do Ronaldo Caiado (DEM) que combinou conosco na campanha duas emendas anuais e assim o fez, cumpriu e empenhou as emendas pra cá. Fomos também atrás de senadores, corremos atrás do próprio governo estadual, apesar de no começo a prefeitura não estar com o CAUC em dia [Cadastro Único de Convênios], não estar apta para receber os convênios estaduais e federais.

E hoje está?

Até onde eu sei, estava.

O eleitor sabe que o seu partido, o Democratas, não caminha ao lado do atual Governo Estadual que busca a reeleição neste ano. No município, no entanto, foi diferente quando durante a campanha de 2012, DEM e PSDB andaram juntos. Como democrata, filiado e detentor de mandato qual o seu posicionamento no pleito eleitoral deste ano?

Eu tenho orgulho de defender uma bandeira. Sempre fui filiado, desde os meus 16 anos, no Democratas. Meu pai já há 20 anos é presidente do DEM em Cristianópolis. Então eu tenho uma ala a qual eu defendo e um representante que é o meu ponto de referência; Ronaldo Caiado. Eu tenho ele como uma ideologia e a partir do momento que ele fez essa aliança e nos comunicou, declaramos que qual fosse a sua posição nós estaríamos apoiando ele. Pra mim é um pouco dificultoso porque vou opor ao prefeito, mas eu procuro acompanhar a ideia de Ronaldo e como ele mesmo diz ‘que não acredita em pessoas, mas em projetos’, eu também posso dizer a mesma coisa.

Se distanciar da base e apoiar o projeto de Ronaldo Caiado serviu como chave para o seu distanciamento da prefeitura?

Tem gente que fala que eu mudei de lado, mas na verdade não é isso. Eu sou fiel ao meu partido e como eu já não estava participando, isso não interferiu... Nas eleições municipais em que o Democratas apoiou e fui candidato na chapa majoritária do PSDB, nós acreditamos no projeto de uma pessoa que nunca havia entrado para a política, no perfil de uma pessoa idônea, que é o meu amigo Jairo. Eu acreditei no projeto dele, no projeto de mudança que, de certa forma, era uma renovação pra Cristianópolis, mas não participei ativamente. Não é que eu esteja opondo à pessoa do prefeito, só não estou participando do projeto, apesar de eu ter um cargo público, não faço parte do poder público, sou como um cidadão comum. Não existe opinião, não existem ideias, não existem projetos do vice prefeito de Cristianópolis. Por isso, resolvi apoiar o que segue o meu partido no Estado...

Sobre a campanha eleitoral, como você reage às pesquisas que colocam o senador Ronaldo Caiado à frente dos demais candidatos?

Qualidade e competência igual o Ronaldo Caiado, no nosso Estado, não tem. O eleitor percebeu e o lançamento da candidatura dele emplacou. A ala do PMDB também entendeu e aceitou. Quem já era do Democratas e o acompanhava, permaneceu, e ainda tem uma parcela de peessedebistas que acreditam nos projetos dele e sabem de sua competência. Acredito que ele vence com facilidade, mas é preciso trabalhar.

Ronaldo Caiado é um ferrenho crítico do Governo Dilma e sempre deixa claro sua opinião contrária à atuação da presidenta. Em Goiás, o PMDB preferiu adotar uma postura independente, mesmo estando na chapa do Governo Federal. Você sabe dizer se essa neutralidade tem a influência dele?

Ele já declarou o seu apoio e, por isso, as críticas ao Governo Federal. Antes mesmo dessa aliança em Goiás, o povo já conhecia a sua postura. Acho que ele fez da mesma forma que aconteceu comigo aqui. Gera uma certa dificuldade na campanha, claro, mas é preciso agregar.

De que forma o cidadão conta com Pedro Fagundes a partir de agora? Você continua trabalhando em prol dos benefícios que a cidade precisa?

Eu acho muito louvável essa oportunidade de explicar e esclarecer os fatos na Folha de Cristianópolis, um veículo de comunicação que está entrando na casa do cristianopolino e fazendo a diferença. Quero deixar claro para o amigo, para o eleitor de Cristianópolis, que apesar de não estar participando ativamente do poder público, a minha vaga de político jovem, a minha vaga de influenciador, de pessoa que tem condição de correr atrás de recursos para a cidade, esta posição eu não vou dar para ninguém. Tenho condição de manter a minha postura, a minha coerência e a minha integridade. É para poucos políticos ter a condição de opor, de se levantar contra o poder dentro de uma cidade, um Estado ou um país. Significa que o político não tem rabo preso. Eu quero lutar e vou continuar, sim, na política de Cristianópolis. Vou tentar fazer a diferença e participar mais assim que der certo.

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