5 de junho de 2014

Ex-secretária da Saúde diz que política na prefeitura é intensa e afeta o trabalho


Em entrevista à Folha de Cristianópolis, ex-secretária esclarece que sua saída já vinha sido pensada há dois meses e partiu devido a um descontentamento com a equipe. Neide também falou sobre reforma do PSF e indícios de superfaturamento na obra, política e outros assuntos.

Numa manhã de segunda-feira, no alto do setor Bueno, na sua casa, em Goiânia, Neide Gonçalves de Menezes aguardava a equipe da Folha de Cristianópolis para uma entrevista. Em uma sala bem decorada com um som ambiente para eliminar qualquer resquício de tensão, Neide nos recebe com tranquilidade e disposta a falar sobre tudo; política, profissão, amigos...

A par de todo o trabalho jornalístico, desde a gravação até a fotografia, avisa: "Mulher é vaidosa hein, eu quero ver essas fotos". Tanto que após a conversa, ainda trocou e-mails com os jornalistas para acrescentar pontos ou apenas sugestionar outros.

Neide é servidora pública da Secretaria Municipal de Saúde de Aparecida de Goiânia, mas por um ano e cinco meses se afastou do cargo para assumir a gestão da pasta da saúde em Cristianópolis. No período em que esteve à frente da secretaria, se orgulha das conquistas caracterizadas por ela como “frutíferas”. Esse tempo terminou na primeira semana de maio. Decidida, ela pediu demissão da pasta e, agora, em entrevista exclusiva, tem a oportunidade de dar seu parecer à população do município e explicar por que deixou a Secretaria Municipal da Saúde de Cristianópolis.
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Repórter: Posso te tratar como Neide?

Neide: Sim, claro.

Neide, quais foram as motivações para que a senhora pedisse demissão e saísse do cargo de secretária de saúde de Cristianópolis?

Toda relação de trabalho se rompe quando uma das partes não está satisfeita. Nesse caso, há uns 90 dias [até o dia da entrevista] eu já vinha insatisfeita. O meu pedido de demissão ocorreu devido a um descontentamento entre a equipe de trabalho. Muitos ciúmes, muitas pessoas que não tinham uma forma elaborativa de trabalho, e que ficou criando condições para que eu me aborrecesse. A partir desse momento fui até o Jairo [prefeito] para falar da situação, mas como ele não podia me atender, saí daquela sala, fui até ao secretário de Administração e pedi para fazer a minha demissão. E assim foi feito. A política dentro da prefeitura é muito intensa, muito acirrada, voltada para distorções de filosofia de trabalho. As pessoas já estão ali vislumbrando o próximo pleito. Isso me preocupa muito porque melindra a imagem e desfavorece a qualidade de andamento dos trabalhos que o prefeito precisa executar para a população, porque a comunidade espera ação e trabalho.

Neste período que você esteve à frente da pasta, quais foram os avanços concretos?

Foi um período frutífero. Trouxe médicos, exames de ultrassom, ortopedista, laboratório para fazer exames, busquei recursos para a reforma do PSF (Programa de Saúde da Família) que já está iniciada e tem uma emenda parlamentar de R$500 mil, do deputado Sandes Júnior (PP), para reforma e ampliação do hospital. Houve vários andamentos, crescimentos...

Já que estamos abordando essa questão, existem indícios de superfaturamento por conta dessas alterações na reforma do PSF. Isso é alvo de investigação? A senhora se exime dessa situação?

A verba vem carimbada, é impossível ter superfaturamento em cima disso, porque a empresa que ganha a licitação, toda e qualquer responsabilidade é dela, ela tem um cronograma a seguir de valores, de obra, não tem como ser superfaturado. Isso é falta de informação. As pessoas têm que saber do que se trata um processo licitatório. É altamente confiável. Isso jamais seria pertinente a qualquer dúvida, em qualquer sentido que seja da licitude desse fato. Sobre a reforma do PSF, eu participei de três licitações, e que fique claro o seguinte, a minha pasta não tinha nenhum poder de gerir qualquer verba pública. Existia dentro da prefeitura um departamento de compras. Eu me eximo totalmente de qualquer responsabilidade de transação financeira durante o meu período de gestão.

Independente de vir a ter acontecido ou não, você quer dizer que não caberia à pasta da saúde lidar com essa situação financeira?

Sim. Da compra de um menor medicamento ao maior. Passava tudo pelo grupo que fazia parte das compras da prefeitura. Em nenhum momento foi comigo. Eu não tinha acesso a nenhum tipo de transação comercial enquanto secretária de saúde.

Como está a saúde, hoje, em Cristianópolis?

Eu deixei a pasta numa ascensão. A saúde estava em crescimento. Claro que a saúde no Brasil inteiro é complicada, mas dentro do que é possível, da condição das verbas, estava sendo feito o melhor possível. Em momento algum faltou da minha parte, comprometimento com a pasta, com a população ou até mesmo com o prefeito.

Como a senhora é concursada na secretaria de saúde em Aparecida de Goiânia, a ideia é voltar para lá?

Sim, a ideia é essa, até mesmo porque eu tenho que concluir, faltam 14 meses para eu me aposentar e a política é dinâmica, principalmente quanto aos meus objetivos. Estou voltada ao meu trabalho, mas não vou desvincular em momento algum da política. Vou fazer parte, com certeza, de outros grupos. Que fique bem claro isso...

Quais grupos?

Estou em observação. Tenho sido procurada por vários segmentos. Obviamente que eu quero uma contrapartida. Diante disso, eu estarei vinculada a um novo segmento.

Então existe a possibilidade de a senhora se desvincular dessa área peessedebista com um convite de outros segmentos?

Isso é óbvio. Eu não faço parte do PSDB. Atualmente eu estou sem partido, mas tenho as minhas projeções. Isso eu não descarto em nenhum momento.

Quando a senhora foi convidada a compor a pasta da saúde em Cristianópolis, a senhora chegou a pedir licença do cargo público em Aparecida de Goiânia?

Num primeiro momento, eu cometi uma falha. Por quatro meses, eu não pedi o desligamento, mas após isso eu entrei com pedido de licença para interesse particular. Assim está tramitando dentro da legalidade.

Existe a possibilidade de em 2016 a senhora voltar para política em Cristianópolis como candidata à prefeitura?

Eu tenho que dar uma resposta ao povo de Cristianópolis. A cidade faz parte da minha história futura. Estarei aberta para ter um discernimento. A gente tem que agregar valores. Se eu puder agregar na vida de todo mundo, porque não?

Então, a senhora não descarta a hipótese?


De forma nenhuma.

A senhora gostaria de fazer algum agradecimento...
Quero fazer um agradecimento especial à minha família, a toda a minha equipe de trabalho (Hospital, PSF, motoristas), aos médicos, a alguns colaboradores da Prefeitura, alguns secretários muito bons, outros não tanto, não deixarão saudade de forma nenhum. Alguns eu trarei, porque quando uma pessoa tem um marco em sua vida, não existe distâncias, outros eu deixarei numa inércia, porque aqueles que não agregam, não precisam existir. Também agradecer a todos aqueles que eu puder atender, aos segmentos religiosos, ao pessoal da zona rural. Ao Jairo (prefeito), ao Pedro (vice-prefeito), ao comércio em geral, à Prefeitura de São Miguel do Passa Quatro que sempre nos cedeu a ambulância quando precisamos, ao jornal Folha de Cristianópolis e toda sua equipe. Enfim, quero deixar um grande abraço a todos.

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