7 de maio de 2014

Falta de transporte, aos sábados, prejudica universitários


Educação, um direito de todos? A princípio. A garantia em sido uma vitória arrancada a duras penas pelo povo, no entanto, não tem sido aplicada em sua totalidade em Cristianópolis

Estudantes da Universidade Estadual de Goiás (UEG), Campus Pires do Rio, a 60 km de Cristianópolis, têm sentido o amargo sabor do descaso público. Eles são transportados diariamente por um ônibus, ou uma van, disponibilizados pela prefeitura de Cristianópolis. Entretanto, julga-se "diariamente", no vocabulário da prefeitura, os dias que vão apenas de segunda à sexta-feira.

A realidade dos universitários não é essa. A grande maioria também estuda aos sábados, e alunos relatam que a atual gestão não se dispõe em cobrir os gastos referentes ao transporte também no sábado. A estudante da UEG, Nair Fernandes, revela que os alunos chegam a pagar um valor de R$ 70,00 ao motorista, para que ele leve-os às aulas no sábado.

"Deveria ser uma responsabilidade do prefeito, mas ele alega não ter condições de cobrir um dia a mais para o nosso transporte à Universidade. Estamos pagando ao motorista um valor total de R$ 70 para nos levar e trazer da UEG. Fica complicado, porque tem gente que deixa de comer ou tirar xerox de uma matéria importante para pagar. Esse dever não é nosso", indigna-se a aluna.

Nem sempre esse valor é alcançado. Segundo a estudante, não foram poucas as vezes que os universitários deixaram de ir à faculdade, por falta de alunos suficientes para fazer o pagamento ao motorista encarregado. "A nossa grade curricular é grande. Não podemos perder aula, mas têm dias que não é possível ir por falta de estudantes que possam completar o ônibus. Se não conseguimos pagar o valor necessário ao motorista, então não vamos à aula naquele dia", revela.

Não foi por falta de diálogo. Por alegar muita burocracia, os alunos relatam que não conseguem falar na prefeitura de Cristianópolis, nem mesmo na Secretaria de Educação do município que, em tese, faria a medição deles com o prefeito ou tentaria ajudar no problema. O meio mais prático, mas nem sempre viável, é pedir ao próprio motorista que converse diretamente com o prefeito Jairo Gomes Júnior ou com a secretária de educação Zélia Ribeiro. Sem sucesso. Das raras vezes tentadas, a resposta sempre é a mesma: Não existem condições financeiras para cobrir o transporte dos alunos no sábado.

Nair Fernandes destaca o medo que os estudantes possuem diante de uma represália. "A gestão passada cobria a nossa ida para a UEG aos sábados, mas essa não. Não recorremos à justiça porque temos medo de perder completamente o transporte. Até para arrumar um emprego fica difícil, porque a gratuidade não se estende por completo nos dias da semana", aponta.

O compromisso com a educação foi uma das promessas do prefeito Jairo Gomes Júnior em sua campanha eleitoral. A reportagem da Folha de Cristianópolis permaneceu insistentemente tentando contato com a prefeitura e com a pasta da educação para saber o que o Poder Executivo teria a dizer sobre esse assunto

Buscou-se o primeiro contato às 16h do dia 25 de abril, mas ninguém da recepção da prefeitura atendeu ao telefonema. Novo contato foi tentado 20 minutos depois, às 16h20, novamente sem sucesso. Tentou-se no telefone da Secretaria de Educação às 16h40, mas ninguém da pasta atendeu ao telefonema.

Às 17h, a reportagem ligou novamente para a prefeitura e a ligação chamou até cair. As tentativas foram feitas constantemente, até às 18h, horário que deveria se encerrar o expediente de um serviço público, porém, estranhamente, o que dava a entender pelo não atendimento às ligações, é que naquela sexta-feira, 25, não havia servidores à disposição para o atendimento.

A reportagem da Folha de Cristianópolis, por via das dúvidas, procurou se certificar se aquela data não seria, porventura, algum feriado municipal, estadual, ou até mesmo nacional. Descobriu-se que, por interesse da Administração Pública, o feriado municipal do dia 15 de abril (Aniversário da Igreja Cristã Evangélica e Dia do Evangelho) tinha sido transferido para aquela data. A Prefeitura não assinou nem sequer apresentou Decreto Municipal à Câmara de Vereadores para fazer isso. Mesmo assim a alteração no feriado existiu. O dia era útil. Apenas o dia.

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