10 de março de 2014

Falta de chuva prejudica lavouras em Cristianópolis


Queda na produção, ocasionada por bloqueio atmosférico, foi de até 40% em algumas regiões do município.

Izadora Louise

Foto: Faeg
As chuvas no início de fevereiro e, principalmente, em todo o mês de janeiro, deste ano, foram tímidas. A água caiu em pontos isolados de Goiás e gerou prejuízos em lavouras de todo o Estado, especialmente às safras de milho e soja. No município de Cristianópolis não foi diferente. Produtores rurais da região apontam uma queda considerável na produtividade com a escassez de chuvas. A produtora rural em Cristianópolis, Sônia Marina Abbott, prevê que vai ter uma pequena perda da soja em decorrência da falta de chuvas.

"Não sei se será muito grande, mas é certo que vamos sim ter uma perda. A soja tem o seu próprio ciclo, mas dependendo da falta ou do excesso de chuva, parte do produto não recupera. As que não estavam com grão cheio, por exemplo, eu já sei que vou perder", revela.

A plantação de milho, segundo a produtora rural, vem para compensar uma eventual perda da soja. "O milho da safrinha não deu perda, mas o clima está mudando. Vamos ter que fazer uma silagem para o gado de leite, afinal, o tempo está uma incógnita, pois pode vir aí um veranico", teme a produtora.

Ainda de acordo com Sônia Marina, o excesso de chuva também gera problemas, tornando o destino da produção dos grãos imprevisível. Ela tem receio de que a extrema escassez ou as fortes chuvas repentinas prejudiquem o orçamento. "O investimento é muito grande, principalmente para adquirir maquinários. Só uma colheitadeira custa em média R$ 800 mil", destaca.

De acordo com o Secretário Municipal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Cristianópolis, Nicomedes Lopes, os prejuízos causados pela falta de chuvas nos primeiros meses de 2014 são intensos se comparados ao mesmo período do ano passado. “A chuva foi muito escassa, e já prevemos que vai haver uma queda de 30% a 40% de produtividade em relação a 2013. É a natureza, e infelizmente isso está fora do nosso controle. Tenho observado que até no ribeirão tem pouca água", relata.

A Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária e Abastecimento informou que por ser ainda início de ano, não possui o balanço concreto dos efeitos das chuvas em safras em todo o Estado.

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Entenda por que choveu tão pouco neste início de ano

Condições oceânicas-atmosféricas muito fora dos padrões normais para o verão do Hemisfério Sul geraram uma situação de bloqueio atmosférico, que por mais de três semanas impediu que as frentes frias com seu ar polar avançassem sobre o centro-sul do Brasil.

A atmosfera, portanto, ficou em estado muito quente e seco, o que não é comum nesta época, onde a maior parte do Brasil tem dias úmidos e com chuva frequente. A falta de chuva comprometeu o desenvolvimento da safra agrícola de 2014, o abastecimento de água para as populações do Sudeste e também as reservas de água para a geração de energia elétrica.

O bloqueio atmosférico só foi rompido na segunda quinzena de fevereiro. O fluxo de ventos mudou e o ar úmido e quente da Região Norte voltou a ser transportado para o Sudeste, passando pelo Centro-Oeste do país. O aumento da umidade e a queda da pressão do ar permitiram, enfim, a formação das áreas de chuva a partir de então.

Fonte: Climatempo

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