2 de outubro de 2013

ARTIGO: A importância da preservação ambiental


Nos últimos 50 anos, o homem modificou o ecossistema mais rápido e extensivamente que em qualquer outro período da história humana. Em grande parte para atender à demanda rápida e crescente de alimentos, água doce, madeira, fibras e combustível.

À medida que a população cresce, também cresce a demanda (requerimento) de alimentos e espaço. A questão é que, para atender essa demanda muitos pecuaristas e agricultores tem adotado a chamada produção insustentável, ou seja, a qualquer custo (sem se preocupar com o meio ambiente), porem essa forma de produção compromete muito a nossa qualidade de vida, visto que, cada vez mais estamos perdendo parte do nosso bioma (Cerrado) seja por queimadas ou por desmatamentos (diminuindo assim a diversidade biológica local) e a contaminação dos lençóis freáticos e rios por pesticidas e/ou lixo tem se tornado problemas corriqueiros (prejudicando a saúde de pessoas que utilizam dessas águas para consumo).

De toda a água distribuída no planeta, 97,5 % é salgada e apenas 2,5 % é doce. Uma vez que a água salgada é imprópria para o consumo e grande parte dessa água doce restante se encontra congelada (em geleiras) e/ou contaminada, será que não está na hora de mudarmos nossa postura (atitude) e repensarmos como podemos contribuir para uma gestão (controle) desses recursos hídricos de forma mais sustentáveis (que minimizem os impactos causados pelas atividades humana)?

Atualmente os meios de comunicação como televisão, jornais e rádios tem despertado a população com campanhas educativas para evitar o desperdício e para utilização destes recursos de forma consciente. Para se ter dimensão da importância da água, estudos apontam que cerca de 60 países no mundo estão em guerra por causa da água e ainda há quem diga que ela será o motivo da terceira guerra mundial.

Então o que podemos fazer para ajudar na preservação e conservação dos recursos ambientais (mais especificamente a água)? O primeiro passo é entender a importância da água seja no lazer (pesca), consumo direto (bioquímica corporal) e consumo indireto (produção de alimentos, manutenção da biodiversidade e utilização para atividades básicas como limpeza), e depois empregar condutas sustentáveis (menos agressivas ao meio ambiente) para cada particularidade.

Condutas (atitudes) como evitar o desperdício de água (lavar o carro e casa com balde de água ao invés de mangueira), fazer o descarte de lixo em locais adequados (evitando assim contaminação de solo e água), optar por produtos de empresas que contenham selo verde (empresas que tenham projetos e forma de produção sustentável aderido a uma responsabilidade ambiental), preservar as florestas e mata ciliares (pois estas ajudam muito no ciclo de renovação da água e também na manutenção da temperatura ambiente), fazer uso consciente e adequado de agrotóxicos (evitando os excessos que acabam contaminando o ambiente natural), reciclar (doando o que não tem mais utilidade ou até mesmo procurar nova função para o objeto/produto), dentre tantas formas sustentáveis de se proceder, são muito importantes e contabilizam muito para um ambiente limpo, saudável e para uma boa qualidade de vida.

Mesmo que estas atitudes pareçam pequenas, ou que não vão mudar o mundo, elas tem um valor imensurável de contribuição para a natureza. Como citado, para atenuar (diminuir) os impactos antrópicos (impactos causados pelo homem) existem inúmeras atitudes que podem ajudar na conservação e preservação da água e do meio ambiente. E algumas dessas atitudes além de serem simples ajudam não somente o meio ambiente, mas a própria população no quesito financeiro (por exemplo, diminuído o custo na fatura de água).

Na relação turbulenta homem/natureza é comum encontrarmos a questão causa/consequência onde estas consequências podem até tardar, mas não serão “perdoadas” pois as nossas atitudes de hoje vão refletir o nosso amanhã. Em termos práticos seria assim: o lixo que foi descartado de maneira inadequada seja em lagos, rios ou a céu aberto é o mesmo que vai contaminar a água que utilizaremos para beber e para produzir alimentos (causando doenças e prejuízos para a população).

Até certo ponto a natureza consegue reverter esses impactos e se recuperar sem auxílio (em termos técnicos chamamos esta capacidade de recuperação natural de resiliência), entretanto este é um processo lento e muito complexo. Em alguns casos o ambiente perde essa capacidade, e para reverter a situação (que nem sempre será possível) são necessárias intervenções de profissionais especializados e um alto recurso financeiro já que não é barato para se recuperar um ambiente comprometido.

Existe um mito (inverdade) que diz que a natureza é frágil, mas na verdade frágil somos nós (pois dependemos completamente da natureza, desde o oxigênio que respiramos ao alimento que consumimos) e se não mudarmos esse quadro de degradação, em um tempo não muito distante, a humanidade sofrerá graves consequências como a falta de água potável, aumento de doenças respiratórias devido aos desmatamentos e queimadas, fome, diminuição da expectativa de vida, e em casos mais extremos aumento da mortalidade.

O planeta é a nossa casa e precisamos preservá-lo para que tenhamos uma boa qualidade de vida. Ainda há tempo de mudarmos essa situação. A chave dessa mudança está principalmente nas mãos das crianças de hoje que serão os adultos de amanhã, visto que a orientação e a conscientização à respeito dos problemas ambientais são trabalhadas já no início da vida discente (estudantil).

É lastimável pensar que a natureza se manifesta mostrando o seu descontentamento e que o gênero humano não a vê ou despreza sua exteriorização.



Lucas Cassiano
Biólogo e Mestrando em Ecologia e Produção Sustentável pela PUC-GO e Especialista em Auditoria, Perícia e Gestão Ambiental pelo IPOG

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