3 de setembro de 2013

Sem lar, cães e gatos tomam conta das praças e ruas de Cristianópolis


Animais abandonados estão tirando o sono de moradores, limitando a paciência de comerciantes e o poder público parece ter virado as costas; saiba o que fazer para ajudar a diminuir o problema.

Dizem que o cão é o melhor amigo do homem, mas será que o homem é o melhor amigo do cão? Pelo menos para alguns moradores de Cristianópolis, não. A resposta está nas ruas e foi especialmente percebida pela leitora Nelcileide Pires que sugeriu esta reportagem.

Ela conta que recentemente precisou cuidar de filhotes deixados próximo à residência dela. Sensibilizada, Nelcileide cuidou dos animais que ainda nem comiam direito. “Meu marido e eu pusemos leite na boca deles com vidro de conta-gotas até ficarem grandes. As pessoas não têm coração. Deveria ter uma lei para punir os maus-tratos, aliás tem, mas não funciona aqui”.

A leitora faz referência à Lei Federal 9.605/98 (Lei de Crimes Ambientais) que prevê os maus-tratos como crime. A legislação também é amparada pelo Código Penal, nomeadamente no artigo 164, que prevê o crime de abandono de animais. A pena prevista é de quinze dias a um ano de detenção e/ou multa.

Os cães são os principais alvos da população. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que em grandes centros existe um cão para cada cinco habitantes, cerca de 10% deles estão em estado de abandono. Neste cenário, encaminhar um animal encontrado na rua para um abrigo pode não ser a melhor solução. Segundo Alexander Noronha, fundador da Associação pela Redução Populacional e contra o Abandono de Animais (ARPA Brasil), a responsabilidade é do poder público.

“As prefeituras devem oferecer castração gratuita aos animais e, para isso, podem fazer parcerias com ongs e associações. Se o Poder Executivo não faz a parte dele, o Ministério Público deve ser acionado imediatamente”, adverte.

A lei aprovada recentemente pela Assembleia Legislativa de Goiás (nº 17.767/12) diz que o Poder Executivo deve incentivar a viabilização e o desenvolvimento de programas que visem ao controle reprodutivo de cães e de gatos e à promoção de medidas protetivas – identificação, registro, esterilização cirúrgica, adoção e campanhas educacionais de conscientização pública.

De acordo com a lei é proibido a eliminação da vida dos animais pelos órgãos de controle de zoonoses, canis públicos e as temidas “carrocinhas”, salvo em casos de doenças graves ou enfermidades contagiosas e incuráveis. A reportagem tentou entrar em contato com a Secretaria Municipal da Saúde, responsável pelo controle da reprodução de cães e gatos, mas até o fechamento desta edição, não houve retorno.

O abandono de fato não agrada a maioria da população da cidade e coloca toda uma comunidade em risco. À noite, quando os comércios fecham e a cidade dorme, geralmente esses cães e gatos famintos procuram alimento nas latas de lixo e causa mais um transtorno: a cidade amanhece suja e a limpeza urbana precisa trabalhar ainda mais para suprir uma necessidade que não cumpriu.

A maior concentração de animais abandonados está na Praça Central. O local é rodeado de estabelecimentos fast-foods e a presença constante dos bichos põe em risco a saúde da população. Segundo alguns comerciantes, existe um cão da raça pastor alemão, de cor preta, que por várias vezes atacou pessoas na praça. De forma geral, o fato incomoda tanto os donos de estabelecimentos quanto os clientes.

A principal reclamação é o mal cuidado, a falta de vacinação e a higiene desses animais. Mas se o poder público não faz sua parte, o que fazer para ajudar? De acordo com a Associação Humanitária de Proteção e Bem-Estar Animal (ARCA), o destino correto desses animais depende da ação de pessoas sensíveis e conscientes como você.

Crédito das fotos: Nádia Magalhães

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